Odisseia
| Odisseia | |
|---|---|
Início da Odisseia no seu idioma original | |
| Autor(es) | Homero |
| Idioma | Grego homérico |
| País | Grécia Antiga |
| Editora | Várias |
| Lançamento | século VIII a.C. |
A Odisseia (em grego clássico: Οδύσσεια; romaniz.: Odýsseia)[1] é uma das duas principais epopeias da literatura grega antiga atribuídas a Homero. É uma das obras literárias mais antigas que sobreviveram e continua popular entre o público moderno. Como a Ilíada, a Odisseia é dividida em 24 livros. Ela segue o rei herói de Ítaca, Odisseu, também conhecido pela variante latina Ulisses, e sua jornada de retorno para casa após a Guerra de Troia, que durou dez anos. Sua viagem de Troia até Ítaca dura mais dez anos, durante os quais ele encontra muitos perigos e todos os seus companheiros de tripulação são mortos. Na longa ausência de Odisseu, ele é dado como morto, deixando sua esposa Penélope e seu filho Telêmaco para lidar com um grupo de pretendentes turbulentos que competem pela mão de Penélope em casamento.
A Odisseia foi composta originalmente em grego homérico por volta do século VIII ou VII a.C.; em meados do século VI a.C., já fazia parte do cânon literário grego. Na Antiguidade, a autoria de Homero era tida como verdadeira, mas a erudição contemporânea predominantemente assume que a Ilíada e a Odisseia foram compostas de forma independente, como parte de longas tradições orais. Dado o analfabetismo generalizado, o poema era performado para um público por um aoidos ou rapsodo.
Os temas principais da epopeia incluem as ideias de xenia (νόστος; 'retorno', regresso para casa), peregrinação, nostos (ξενία; 'hospitalidade'), prova e presságios. Os estudiosos discutem o destaque narrativo de certos grupos dentro do poema, como mulheres e escravos, que têm papéis maiores do que em outras obras da literatura antiga. Esse foco é especialmente notável quando contrastado com a Ilíada, que se centra nas façanhas de soldados e reis durante a Guerra de Troia.
A Odisseia é considerada uma das obras mais significativas do cânone ocidental. A influência homérica é clara em obras como a Eneida, de Virgílio, Os Lusíadas, de Camões, ou Ulysses, de James Joyce, mas não se limita aos clássicos. As aventuras de Ulisses, a superação desesperada dos perigos, nas ameaças que lhe surgem na luta pela sobrevivência, são a matriz de grande parte das narrativas modernas, desde a literatura ao cinema.[2][3] Adaptações e releituras continuam a ser produzidas em uma grande variedade de mídias. Em 2018, quando a BBC Culture consultou especialistas em todo o mundo para encontrar a narrativa mais duradoura da literatura, a Odisseia ficou em primeiro lugar na lista.
Contexto
[editar | editar código]Datação
[editar | editar código]Muitas sugestões foram feitas para datar a composição da Ilíada e da Odisseia, mas não há consenso.[4] Robert Lamberton diz que as epopeias "[atravessaram] os primórdios da alfabetização generalizada" a partir de meados do século V a.C.,[5] mas a linguagem dos poemas pode ser datada de muito antes desse período.[6] Os gregos começaram a adotar uma versão modificada do alfabeto fenício para criar seu próprio sistema de escrita durante o século VIII a.C.;[4] se os poemas homéricos estiveram entre os primeiros produtos dessa alfabetização, eles teriam sido compostos no final desse século.[7][a]
Segundo Rudolf Pfeiffer, eles foram provavelmente escritos, mas não há evidências de sua publicação ou disseminação física para consumo por um público alfabetizado.[10][b] A datação é ainda mais complicada pelo fato de que os poemas homéricos, ou seções deles, foram performados por rapsodos por centenas de anos.[4]
Composição e autoria
[editar | editar código]Os estudiosos concordam que as epopeias homéricas se desenvolveram como parte de uma tradição oral ao longo de centenas de anos.[12] No início do século XX, Milman Parry e Albert Lord demonstraram que elas continham proeminentemente as características da poesia oral,[13][c] o que permitiria até mesmo a um poeta analfabeto improvisar grandes poemas,[15] compondo-os através da fala.[13] Os estudiosos não concordam sobre como os poemas emergiram dessa tradição,[6] e não está claro se a tradição oral pode reivindicar todo o crédito por sua composição.[16] No século XIX, uma série de questões relacionadas sobre a autoria das epopeias ficou conhecida como Questão Homérica.[17] Fontes da Antiguidade criaram narrativas míticas para explicar Homero.[18] O debate ainda persiste hoje sobre muitas das questões homéricas;[6] por exemplo, sobre a relação composicional entre a Ilíada, a Odisseia e os poemas em grande parte perdidos do Ciclo Épico; sobre se Homero viveu e, se viveu, quando;[17] e se os poemas refletem alguma realidade geográfica, histórica ou cultural.[6] Enquanto Heródoto atribui a Ilíada e a Odisseia a Homero,[19] outras obras também lhe foram historicamente atribuídas, incluindo os Hinos Homéricos.[20]
As reconstruções textuais indicam que os poemas assumiram muitas formas.[21] Como o feedback é um componente importante da performance ao vivo, o conteúdo do poema pode ter variado de uma apresentação para outra.[20] Este contexto é importante para entender e interpretar as epopeias;[22] John Miles Foley escreve que a performance é uma parte crucial de seu significado.[23] A performance da poesia épica é um assunto de ambos os poemas, com a Odisseia retratando cantores profissionais como Fêmio e Demódoco.[24] Aplicar essas performances dentro da narrativa ao entendimento moderno da performance das epopeias pode indicar que elas eram realizadas nas casas de famílias distintas como parte de banquetes ou jantares no 2º e início do 1º milênio a.C.,[25][26] e que os observadores podiam dirigi-las ou participar delas.[25] Elas eram provavelmente recitadas — isto é, não performadas com música.[27]
Como a Ilíada, a Odisseia é dividida em vinte e quatro partes.[d] Estudiosos antigos sugeriram que estas correspondem às 24 letras do alfabeto grego, mas isso é amplamente considerado não histórico.[29][e] A divisão foi provavelmente feita muito depois da composição do poema, mas agora é geralmente aceita como parte da estrutura moderna do poema.[31] Existem muitas teorias sobre como elas surgiram. Alguns sugerem que eram uma parte autêntica da tradição oral ou inventadas por estudiosos alexandrinos.[32] Pseudo-Plutarco atribuiu as divisões a Aristarco da Samotrácia, mas há algumas evidências contra isso.[33][34][35] Alguns estudiosos conectam a segmentação das epopeias à tradição da performance, por exemplo, como uma criação dos rapsodos.[36][37]
Ambas as epopeias pressupõem algum conhecimento de seu público — por exemplo, sobre a Guerra de Troia. Isso indica fortemente que as epopeias estavam dialogando com uma tradição mitológica pré-existente.[38] Embora a Guerra de Troia seja um elemento importante para ambas, a Odisseia não faz referência direta a nenhum evento da representação da guerra na Ilíada,[39][f] e geralmente são consideradas como tendo se formado independentemente uma da outra.[41] Existem argumentos para que qualquer uma das epopeias tenha sido composta primeiro; não está claro.[41]
Influências
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Os estudiosos notam fortes influências da mitologia e literatura do Oriente Próximo na Odisseia.[42] Martin West observa paralelos substanciais entre o Épico de Gilgamesh e a Odisseia.[43] Tanto Odisseu quanto Gilgamesh são conhecidos por viajar até os confins da terra e em suas jornadas vão à terra dos mortos.[44] Em sua viagem ao submundo, Odisseu segue as instruções dadas a ele por Circe, que está localizada nos confins do mundo e associada a imagens solares.[45] Como Odisseu, Gilgamesh recebe instruções para chegar à terra dos mortos de um ajudante divino: a deusa Siduri, que, como Circe, habita à beira-mar nos confins da terra, cuja casa também está associada ao sol. Gilgamesh chega à casa de Siduri passando por um túnel sob o Monte Mashu, a alta montanha de onde o sol nasce no céu.[46] West argumenta que a semelhança das jornadas de Odisseu e Gilgamesh até os confins da terra é resultado da influência do épico de Gilgamesh sobre a Odisseia.[47] O folclorista clássico Graham Anderson observa outros padrões — os heróis da Odisseia e de Gilgamesh encontram mulheres que podem transformar pessoas em animais; estão envolvidos na morte de gado divino; desfrutam infelizmente da presença de uma "senhora voluptuosa em um paraíso sobrenatural" após uma viagem pelo submundo.[48]
Os estudiosos exploraram se as figuras se originam dentro do poema ou pertencem a uma tradição externa a ele. Adrienne Mayor diz que o paleontólogo austríaco Othenio Abel fez afirmações infundadas sobre o filósofo do século V a.C. Empédocles conectando o ciclope a crânios de elefantes pré-históricos.[49] Se o poema épico criou, popularizou ou simplesmente recontou a história de Polifemo é uma disputa antiga,[50] mas Anderson diz que há um certo consenso acadêmico de que a história existia separadamente da epopeia.[48] William Bedell Stanford observa que há algumas indicações de que Odisseu existia independentemente de Homero, embora seja inconclusivo.[51]
Geografia
[editar | editar código]Os estudiosos estão divididos sobre se algum dos lugares visitados por Odisseu é real.[52] Os eventos na sequência principal da Odisseia (excluindo a narrativa inserida de Odisseu sobre suas peregrinações) têm sido situados no Peloponeso e nas Ilhas Jônicas.[53] Muitos tentaram mapear a jornada de Odisseu, mas em grande parte concordam que as paisagens — especialmente aquelas descritas nos livros 9 a 11 — incluem muitos elementos míticos para serem verdadeiramente mapeáveis.[54] Por exemplo, há desafios para determinar se a terra natal de Odisseu, Ítaca, é a mesma ilha que agora é chamada de em grego clássico: Ithakē (grego moderno: em grego clássico: Ιθάκη);[53] o mesmo acontece com a rota descrita por Odisseu para os feácios e sua ilha de Esquéria.[52] O classicista britânico Peter Jones escreve que o poema provavelmente foi atualizado muitas vezes por contadores de histórias orais ao longo de vários séculos antes de ser escrito, tornando "virtualmente impossível" dizer "em que sentido [o poema] reflete uma sociedade histórica ou conhecimento geográfico preciso".[55] Os estudiosos modernos tendem a explorar a jornada de Odisseu metaforicamente, em vez de literalmente.[56]
Sinopse
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Dez anos depois de os Aqueus (gregos) terem vencido a Guerra de Troia, Odisseu, rei de Ítaca, ainda não voltou para casa de Troia. Em sua ausência, 108 pretendentes grosseiros cortejam sua esposa Penélope. Penélope diz a eles que se casará novamente quando terminar de tecer uma mortalha para o pai idoso de Odisseu, Laertes; no entanto, ela secretamente desfaz o tecido todas as noites.[57]
A deusa Atena, disfarçada primeiro de Mentes e depois de Mentor, diz ao filho de Odisseu, Telêmaco, para procurar notícias de seu pai. Os dois deixam Ítaca e visitam Nestor, que lhes conta que Agamemnon, o comandante do exército grego em Troia, foi assassinado logo após a guerra. Telêmaco viaja para Esparta para encontrar o irmão de Agamemnon, Menelau, que por sua vez descreve seu encontro com o deus metamórfico conhecido como o Velho do Mar. Menelau diz que aprendeu com o Velho do Mar que Odisseu está vivo, mas mantido cativo pela ninfa Calipso.[57]
Atena implora a Zeus que resgate Odisseu, e Zeus envia Hermes para negociar sua libertação. Quando Odisseu deixa a ilha de Calipso, Poseidon destrói sua jangada com uma tempestade. A ninfa do mar Ino protege Odisseu enquanto ele nada até Esquéria, terra dos feácios, e Atena leva a princesa feácia Nausícaa para encontrá-lo. Na corte dos pais de Nausícaa, Arete e Alcínoo, Odisseu se destaca nos jogos atléticos e fica emocionado quando o bardo Demódoco canta sobre a Guerra de Troia. Odisseu revela sua identidade e relata suas aventuras após a guerra.[57]

Ao deixar Troia, os homens de Odisseu atacaram sem sucesso os Cicônios — aliados dos troianos. Depois de tomar sua cidade de Ismaro de surpresa, Odisseu e seus homens se envolveram em saques e matança dos guerreiros. Seus despojos consistiam em bens, gado e mulheres. Apenas Maron, o sacerdote de Apolo, e sua família foram poupados por Odisseu. Em gratidão, este recebeu um tonel de vinho. Sem pressa para partir naquela mesma noite, os homens de Odisseu foram atacados pelos Cicônios, que tinham ido buscar ajuda dos vizinhos. Depois de perder seis de seus homens, Odisseu foi forçado a fugir apressadamente.[58][59]
Depois disso, em uma ilha de comedores de lótus, eles encontraram frutas intoxicantes que os fizeram esquecer de chegar em casa. Em outra ilha, foram capturados pelo ciclope Polifemo. Odisseu, chamando-se enganosamente de "Ninguém" (em grego: Οὔτις), escapou intoxicando o ciclope e cegando-o. No entanto, ele revelou orgulhosamente sua verdadeira identidade enquanto fugia, e Polifemo pediu a seu pai Poseidon que se vingasse.[57]
A tripulação de Odisseu quase chegou a Ítaca, mas foi desviada do curso após abrir um saco de ventos que receberam de Éolo. Depois disso, todos os seus navios, exceto um, foram destruídos por canibais gigantes chamados Lestrigões. Na ilha de Eéia, a deusa Circe transformou os homens de Odisseu em porcos. Hermes ajudou Odisseu a resistir à magia de Circe usando a erva moly, e Odisseu a forçou a restaurar as formas humanas da tripulação. Odisseu e Circe então se tornaram amantes por um ano até que ele partiu para continuar sua viagem para casa. Em seguida, Odisseu viajou até a borda de Oceano, onde os vivos podem falar com os mortos. O espírito do profeta Tiresias disse a Odisseu que ele retornaria para casa, mas que deveria eventualmente empreender outra jornada. Odisseu também encontrou os espíritos de sua mãe Anticleia e dos antigos companheiros Agamemnon e Aquiles.[57]

A tripulação de Odisseu então navegou além das Sereias, cujo canto sedutor atraía os marinheiros para a morte. Seus companheiros taparam os ouvidos com cera de abelha para não ouvi-las, enquanto Odisseu se amarrou ao mastro do navio. Em seguida, navegaram pela passagem estreita entre o redemoinho Caríbdis e o monstro de várias cabeças Cila. Finalmente, na ilha de Trinitária, os homens de Odisseu mataram e comeram gado sagrado pertencente ao deus sol Hélio. Hélio pediu a Zeus que os punisse, o que ele fez destruindo seu último navio. Odisseu, o único sobrevivente, chegou à costa da ilha Ogígia. Lá ele encontrou Calipso, que o manteve cativo como seu amante até que Hermes finalmente interviu.[57]
Depois de ouvir a história de Odisseu, os feácios o levam para Ítaca, onde Atena o disfarça de mendigo idoso. Sem saber sua identidade, o porqueiro Eumeu oferece-lhe alojamento e comida. Telêmaco retorna para casa de Esparta, escapando de uma emboscada dos pretendentes. Odisseu se revela a seu filho e os dois voltam para casa, onde o velho cão de Odisseu, Argos, muito tempo negligenciado, o reconhece através de seu disfarce; o velho cão havia esperado fielmente por seu senhor e, ao finalmente ver seu retorno, morre em paz. Os pretendentes zombam e maltratam Odisseu em sua própria casa. Ele e Telêmaco escondem as armas dos pretendentes em preparação para a vingança. Odisseu também reencontra Penélope e sua serva Euricleia, que o reconhece por uma cicatriz em sua perna.[57]
Penélope anuncia que está pronta para se casar novamente e que escolherá quem vencer uma competição de arco e flecha com o arco de Odisseu. Depois que cada pretendente falha até mesmo em esticar o arco, Odisseu o estica e atira uma flecha através de uma série de cabeças de machado. Tendo vencido a competição, ele mata os pretendentes; Telêmaco enforca um grupo de escravas que haviam sido usadas sexualmente pelos pretendentes. Odisseu revela sua identidade a Penélope, que o testa pedindo que ele mova a cama. Ele afirma corretamente que a cama, que ele entalhou do tronco de uma oliveira, é imóvel, e os dois se reúnem amorosamente.[57]
No dia seguinte, depois que Odisseu se revela a seu pai Laertes, as famílias dos pretendentes assassinados se reúnem para se vingar. Atena intervém e impede mais derramamento de sangue.[57]
Estilo
[editar | editar código]Estrutura
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A narrativa se abre in medias res (lit. "no meio das coisas"); os eventos anteriores são descritos através de flashbacks e narração de histórias.[60]
Na Grécia Clássica, alguns livros ou seções receberam seus próprios títulos. Os livros 1 a 4, que focam na perspectiva de Telêmaco, são chamados de Telomaquia.[61] Os livros 9 a 12, nos quais Odisseu fornece um relato de suas aventuras, são chamados de Apólogos.[56][62] O livro 22 era conhecido como Mnesterofonia (em grego clássico: mnesteres + em grego clássico: phonos).[63] O livro 22 é geralmente considerado como a conclusão do Ciclo Épico grego, mas fragmentos permanecem de uma sequência perdida conhecida como Telegonia.[64]
Existe debate sobre o que constitui a Odisseia "original". Alguns estudiosos consideram a Telomaquia como um acréscimo posterior, enquanto outros observam que as partes posteriores não fazem sentido sem esses livros.[65] Da mesma forma, o final do poema tem sido objeto de debate desde a Antiguidade — Aristarco da Samotrácia e Aristófanes de Bizâncio consideravam o verdadeiro final da epopeia como os versos 293–295 do livro 23. Debates semelhantes sobre o final do poema ocorrem hoje.[66]
Narrativa e linguagem
[editar | editar código]A epopeia tem 12109 versos compostos em hexâmetro datílico, às vezes chamado de hexâmetro homérico — uma métrica com seis pés métricos.[67][68] A forma do hexâmetro é cataléctica, o que significa que falta uma sílaba esperada no último pé. Cada linha tem entre doze e dezessete sílabas e geralmente forma uma frase gramaticalmente completa.[28] Os poemas podem ter herdado algumas tradições estilísticas, mas inventaram outras.[69]
A narrativa é relatada principalmente através da fala — isto é, personagens falando consigo mesmos ou com outra pessoa.[70] Consequentemente, eles frequentemente servem como narradores ao lado do narrador homérico, e sua fala é o principal método de caracterização.[71]
A linguagem é simples, direta e de ritmo rápido.[72] É também de estilo literário — o vocabulário provavelmente nunca foi o vernáculo de qualquer população grega.[73] Uma característica importante da linguagem é a simile homérica. São metáforas comparativas que podem ser longas[g] ou curtas,[75] geralmente derivando do mundo natural ou da vida cotidiana. Irene de Jong as descreve como "onitemporais" — podem usar o tempo presente simples, ou o tempo épico (misturando passado e presente), ou podem apresentar uma verdade intemporal (aoristo gnômico).[76] Suas funções variam; exemplos incluem caracterização e reforço de tema.[77] Tradicionalmente, a símile homérica era considerada uma precursora das similes literárias europeias. Isso tem sido contestado — por exemplo, por Oliver Taplin.[78] Os estudiosos modernos geralmente concordam que as símiles homéricas se formaram como parte da tradição oral das epopeias, mas escritores anteriores às vezes diziam que foram acrescentadas por um ou mais poetas posteriores.[79]
Um elemento importante dos textos homéricos é seu uso de epítetos, frequentemente traduzidos como adjetivos compostos como much-nourished ou much-nourishing.[80]
Temas e padrões
[editar | editar código]Regresso
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O regresso à pátria constitui um dos temas centrais da Odisseia e está associado ao conceito grego de nostos (νόστος). O termo designa tanto o regresso a casa, sobretudo por mar, como as narrativas centradas nesse regresso. Embora o poema acompanhe principalmente Odisseu, insere a sua história num conjunto mais vasto de regressos dos aqueus após a queda de Troia, utilizando o destino de outros heróis para estabelecer contrastes com o do protagonista.[81][82][83]
Um dos principais termos de comparação é Agamemnon. Ao regressar a casa, é morto pela mulher, Clitemnestra, e pelo amante desta, Egisto; mais tarde, Orestes, filho de Agamemnon, vinga o pai matando Egisto. No início da Odisseia, Atena e Nestor apresentam Orestes a Telêmaco como exemplo, incentivando-o a agir perante os pretendentes que ocupam a casa de Odisseu. O próprio Agamemnon reaparece no mundo dos mortos e relata a Odisseu a traição de Clitemnestra, fazendo do seu regresso malogrado um contraponto ao regresso ainda por cumprir do protagonista.[84]
O contraste prolonga-se depois da chegada de Odisseu a Ítaca. Em vez de se dar imediatamente a conhecer, Odisseu regressa disfarçado de mendigo, o que lhe permite averiguar quem lhe permaneceu fiel. A fidelidade de Penélope distingue, por sua vez, o seu destino do de Agamemnon: enquanto este encontra a morte no regresso, Odisseu recupera a casa, a mulher e a sua posição. Aquiles oferece outro termo de comparação, pois alcança a glória, mas morre em Troia e, portanto, não chega a realizar o seu nostos.[85]
Peregrinação
[editar | editar código]A estrutura narrativa da Odisseia estabelece uma distinção entre a longa peregrinação de Odisseu e o movimento que finalmente o conduz de volta a Ítaca. Antes da chegada do herói à sua terra, o narrador relata diretamente apenas dois grandes episódios da fase final da viagem: a permanência na ilha de Calipso e a estadia entre os Feácios. Grande parte das aventuras anteriores — entre elas os encontros com os Ciclopes, Circe e os Lestrigões — é narrada retrospetivamente pelo próprio Odisseu perante a corte dos Feácios. A passagem de Calipso para o mundo feácio assinala, assim, a transição entre o afastamento e o efetivo regresso do herói.[86]
O próprio nome de Calipso tem sido relacionado com o verbo grego καλύπτω (kalýptō, «cobrir» ou «ocultar»), correspondendo à função que a personagem desempenha na narrativa: enquanto permanece na sua ilha, Odisseu está afastado do mundo humano e impedido de regressar. Os Feácios desempenham a função oposta. Depois de Odisseu abandonar a ilha de Calipso, são eles que o acolhem e, por fim, o transportam até Ítaca, completando a passagem da peregrinação para o regresso.[86]
Durante as suas deambulações, Odisseu atravessa espaços progressivamente afastados do mundo humano habitual e encontra figuras situadas na fronteira entre o humano, o monstruoso e o divino. Entre elas contam-se Polifemo, filho de Poseidon; Circe, capaz de transformar homens em animais; e os Lestrigões, gigantes antropófagos. Os próprios Feácios ocupam uma posição intermédia: a tradição apresentada no poema aproxima-os dos deuses e relaciona a sua genealogia com Poseidon e com os Gigantes. Esta dimensão extraordinária das viagens contribui para distinguir a longa peregrinação de Odisseu do espaço humano e doméstico que procura recuperar em Ítaca.[86]
Hospitalidade
[editar | editar código]A xenia (ξενία), a relação de hospitalidade entre anfitrião e hóspede, constitui um dos temas recorrentes da Odisseia. Na sociedade representada no poema, esta relação implica obrigações recíprocas: o anfitrião deve acolher o estrangeiro, proporcionar-lhe alimento e alojamento e, por vezes, oferecer-lhe presentes e ajudá-lo a prosseguir a viagem; o hóspede, por sua vez, deve respeitar o anfitrião e não abusar da hospitalidade recebida. O cumprimento ou a violação destas normas contribui frequentemente para caracterizar as personagens com quem Odisseu se cruza.[87][88]
J. B. Hainsworth identifica na Odisseia uma sequência convencional associada à receção de um estrangeiro. Antes mesmo de lhe perguntar o nome ou a origem, o anfitrião recebe-o, oferece-lhe comida e bebida e permite-lhe repousar; só depois procura saber quem é e de onde vem. A partida pode ser acompanhada por presentes e pela prestação de auxílio para a continuação da viagem. Este padrão é particularmente visível na receção de Telêmaco por Nestor em Pilos e por Menelau e Helena em Esparta.[88][87]
As peregrinações de Odisseu apresentam sucessivamente exemplos de respeito e de violação da xenia. Os Feácios acolhem-no, escutam a narrativa das suas aventuras, oferecem-lhe presentes e proporcionam-lhe finalmente o transporte para Ítaca. No extremo oposto encontra-se Polifemo, que, em vez de receber e alimentar os estrangeiros, devora alguns dos companheiros de Odisseu. O episódio do ciclope constitui, assim, uma inversão particularmente acentuada das normas de hospitalidade que estruturam as relações entre anfitriões e hóspedes no poema.[87]
A violação da xenia desempenha também um papel central em Ítaca. Durante a ausência de Odisseu, os pretendentes instalam-se na sua casa e consomem os seus bens enquanto pressionam Penélope a escolher um novo marido. Embora formalmente ocupem a posição de hóspedes, abusam continuadamente da hospitalidade da casa e chegam a conspirar contra Telêmaco. Na análise de Agathe Thornton, o comportamento dos pretendentes enquadra a punição que recebem após o regresso de Odisseu no sistema moral de hospitalidade e reciprocidade que percorre o poema.[87]
Prova
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A prova e o reconhecimento constituem um padrão recorrente na Odisseia. Odisseu põe repetidamente à prova aqueles que encontra, procurando determinar a sua lealdade antes de revelar a própria identidade. Ao regressar a Ítaca disfarçado de mendigo, observa o comportamento dos que permaneceram na sua casa e testa a fidelidade de várias personagens, entre as quais o porqueiro Eumeu, o boieiro Filécio e Penélope. O disfarce permite-lhe, assim, avaliar a situação em Ítaca antes de agir contra os pretendentes.[89]
O padrão funciona também em sentido inverso: Odisseu é, por sua vez, submetido a provas destinadas a confirmar a sua identidade. O reconhecimento não ocorre simultaneamente para todas as personagens nem depende sempre dos mesmos indícios. A velha ama Euricleia, por exemplo, reconhece Odisseu pela cicatriz que tem na perna quando lhe lava os pés, enquanto, noutros casos, a identidade de Odisseu é confirmada por conhecimentos que só ele poderia ter.[89]
O exemplo culminante dá-se no reencontro com Penélope. Mesmo depois da morte dos pretendentes, ela não aceita imediatamente que o homem que se apresenta diante de si seja o marido. Para o pôr à prova, ordena que a cama conjugal seja retirada do quarto. Odisseu reage explicando que isso seria impossível, pois ele próprio construíra a cama em torno do tronco de uma oliveira enraizada no solo, incorporando-a na estrutura da casa. A referência a este segredo permite a Penélope reconhecer definitivamente Odisseu como seu marido.[89]
Presságios
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Os presságios constituem outro motivo recorrente na Odisseia e manifestam-se de diversas formas, com particular destaque para a observação de aves. Na análise de Agathe Thornton, a identidade de quem recebe o presságio e a forma como este se manifesta são elementos importantes para a sua interpretação. Telêmaco, Penélope, Odisseu e os pretendentes recebem presságios relacionados com aves, enquanto Telêmaco e Penélope os recebem também através de palavras, espirros e sonhos.[90]
Odisseu distingue-se das restantes personagens por ser o único a receber como presságio o trovão ou o relâmpago. Thornton relaciona esta particularidade com Zeus, de quem o relâmpago é atributo, interpretando-a no contexto da condição régia de Odisseu. A associação entre Odisseu e Zeus ocorre tanto na Ilíada como na Odisseia.[91][92][90][93]
Os episódios de presságio apresentam também características próprias de uma cena-tipo. Thornton distingue dois momentos fundamentais: o reconhecimento do fenómeno como presságio e a sua interpretação. No caso dos presságios envolvendo aves, todos, com exceção do primeiro, apresentam uma ave de maior porte a atacar outra mais pequena. A estes episódios associa-se ainda um desejo, expresso diretamente ou implícito no contexto da cena.[90][94] Esses desejos variam de acordo com as personagens e com o momento da narrativa. Telêmaco deseja a vingança contra os pretendentes e o regresso do pai; Penélope deseja o regresso de Odisseu; e os pretendentes desejam a morte de Telêmaco. A associação entre o presságio e um desejo constitui, assim, um elemento recorrente destas cenas ao longo do poema.[95][96][97][98][90]
Recepção
[editar | editar código]Do período pré-clássico à Antiguidade tardia
[editar | editar código]Homero foi amplamente celebrado na sociedade grega como um poeta talentoso e didático, instruindo o público sobre tópicos que iam da filosofia à ciência.[99] O público era exposto principalmente às epopeias através de performances tanto na Grécia Arcaica quanto na Clássica,[100] mas seu status entre o público no início do período arcaico (840–700 a.C.) não é compreendido.[5] Estudiosos de pelo menos duas bibliotecas antigas — a Biblioteca de Alexandria e a Biblioteca de Pérgamo[h] — estudaram versões antigas das epopeias homéricas.[21] Os estudiosos alexandrinos incluíam Zenódoto de Éfeso (início do século III a.C.), Aristófanes de Bizâncio (início do século II a.C.) e Aristarco da Samotrácia (meados do século II a.C.).[102]
Em 2018, uma equipa de arqueólogos gregos e alemães descobriu, em escavações na antiga cidade de Olímpia, uma placa de argila contendo 13 versos do Canto XIV, correspondentes ao episódio do encontro entre Odisseu e Eumeu. A datação preliminar situou o artefacto no período romano, provavelmente antes do século III, o que, confirmada, faria dele o mais antigo testemunho escrito conhecido da Odisseia encontrado na Grécia.[103]
A erudição antiga explorou uma variedade de tópicos, incluindo, por exemplo, inconsistências narrativas.[104] A alegoria foi uma escola de interpretação particularmente popular[105] que, segundo Emily Wilson, permitiu que os estudiosos "dessem sentido a cenas desconcertantes ou perturbadoras na Odisseia".[106] Argumentos alegóricos também foram empregados para defender Homero de alegações de que ele havia desrespeitado os deuses[107][108] — uma crítica famosamente feita pelo filósofo do V/VI século a.C. Xenófanes[109] — mas foram rejeitados pelos estudiosos alexandrinos como muito convenientes.[108] O estudioso de Pérgamo Crates de Malos explorou as epopeias como contendo percepções alegóricas sobre cosmologia e geografia.[101] Heráclito (século I d.C.) e Porfírio (século III d.C.) também escreveram interpretações alegóricas.[107][110] Em suas Questões Homéricas — a única obra extensa sobre exegese homérica a sobreviver da Antiguidade — Porfírio limitou seu escopo analítico a explorar apenas questões que poderiam ser elucidadas a partir do próprio texto homérico.[i][115] Ele abandonaria esse método em favor de uma abordagem alegórica em sua obra posterior Sobre a Caverna das Ninfas na Odisseia, na qual examinou as cavernas das ninfas como representando a vida humana.[116][105] Heráclito argumentou que o encontro de Telêmaco com Atena representava "o desenvolvimento da racionalidade" à medida que ele se tornava um homem.[105]
Muitas edições antigas das epopeias homéricas existiam; a biblioteca de Alexandria possuía algumas.[117] Em material derivado do comentário do estudioso do século I a.C. Dídimo, as versões antigas foram divididas em "edições das cidades" e "edições individuais".[j] As edições das cidades foram provavelmente criadas dentro da cidade (talvez como versões "oficiais"), enquanto as edições individuais foram preparadas de forma independente por estudiosos.[119] Ele menciona versões individuais de propriedade de Antímaco, Aristófanes de Bizâncio, Sosígenes,[119] Riano de Creta, Calístrato e Filémon.[119] Edições das cidades são conhecidas para Éolis, Argos, Chipre e Marselha.[k][119] Tanto a Ilíada quanto a Odisseia eram textos escolares em lugares onde a língua grega era falada.[121][122] Elas provavelmente faziam parte do currículo da elite da Atenas Clássica,[123] e no Império Romano. Eram consideradas instrutivas para a habilidade retórica,[124][l] e leitura.[m] A Guerra de Troia e seus participantes já eram referências mitológicas e históricas importantes para o Império Romano,[126] e os romanos prontamente absorveram Homero em sua cultura, transmitindo a epopeia para o leste e oeste.[5]
As conquistas de Alexandre, o Grande, espalharam a influência cultural helenística por todo o Mediterrâneo Oriental; ela passou a ser lida por todas as crianças em idade escolar no mundo grego.[127] No século VI, os poemas homéricos tinham um lugar canônico nas instituições da Atenas antiga.[128] O tirano ateniense Pisístrato ou seu filho Hiparco instituíram um festival cívico e religioso, as Panateneias, que provavelmente apresentava performances de poesia homérica;[129][130][n] uma versão "correta" tinha que ser performada, possivelmente indicando que uma versão do texto havia sido canonizada.[4][o] Eles podem ter performado apenas seções dos poemas,[131] e não é provável que tenham sido performados sem intervalo.[132]
Trifiodoro escreveu uma Odisseia lipogramática, na qual cada livro omitia deliberadamente uma única letra diferente do alfabeto grego.[133]
Pós-clássico
[editar | editar código]Além da Antiguidade clássica e na era bizantina, a difusão da língua grega — e a consequente tradução interna dos textos homéricos à medida que se espalhava — manteve a relevância e o status da Odisseia.[p] Armstrong diz que ambas as epopeias podem ter caído no esquecimento, citando Beowulf como um exemplo desse destino.[135] A visão ortodoxa bizantina era que Homero escreveu as duas epopeias juntamente com os Hinos Homéricos e a Batracomiomaquia, com algum ceticismo filológico em relação a esta última.[136] A Ilíada e a Odisseia permaneceram amplamente estudadas ao longo da Idade Média e foram usadas como textos escolares dentro do Império Bizantino.[121][122] O grego homérico era difícil para os estudantes bizantinos, exigindo paratextos para explicar referências gramaticais e mitológicas.[137] Grande parte da erudição bizantina sobrevivente foi originalmente destinada a material educacional.[138][q] Os alunos provavelmente não tinham cópias físicas das epopeias, mas certos manuscritos podiam ser disponibilizados para alunos talentosos. Eles aprendiam principalmente através de ditado e repetição.[141]
Segundo Lamberton, o público das epopeias mudou na idade bizantina média. Uma vez domínio de gramáticos e estudantes, os adultos começaram a lê-las por prazer e se perguntaram como as narrativas da Ilíada e da Odisseia se relacionavam com a narrativa troiana mais ampla.[142] O poeta do século XII João Tzetzes produziu Alegorias Homéricas para a consorte de Manuel I Comneno, que resumia a Odisseia e outros textos.[142] Mavroudi diz que a obra de Tzetzes casou conceitos culturais dos períodos homérico e bizantino; Tzetzes comparou Manuel I às figuras reais de Zeus e Agamemnon,[143] e retratou Odisseu com um estômago saliente.[144]
A interpretação bizantina foi influenciada pelas Questões Homéricas de Porfírio através de estudiosos neopitagóricos e neoplatônicos.[145][146] O estudioso e arcebispo bizantino Eustáquio de Tessalônica (c. 1115) escreveu comentários exaustivos sobre ambas as epopeias homéricas que foram vistos como autoritários por gerações posteriores;[121][122] seu comentário sobre a Odisseia sozinho abrange quase 2.000 páginas de tamanho enorme em uma edição do século XX.[121] A primeira edição impressa da Odisseia, ou a editio princeps,[r] foi produzida em 1488 pelo estudioso grego Demétrio Calcóndilas, que nasceu em Atenas e estudou em Constantinopla.[121][122] Sua edição foi impressa em Milão por um impressor grego chamado Antônio Damilas.[122]
Início da era moderna
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Durante a querela dos Antigos e Modernos — um debate artístico do final do século XVII e início do século XVIII na França — a Odisseia e a Ilíada foram dois dos principais assuntos. Os textos homéricos foram criticados pelos escritores Jean Desmarets, Pierre Bayle e Charles Perrault;[148] Howard Clarke diz que Perrault se absteve de castigar diretamente os poemas na ausência de uma epopeia francesa, com Perrault concedendo a Homero "louvor ritual" ao descrevê-lo como "Pai de todas as Artes". Os defensores das epopeias e de Homero incluíam Jean de La Fontaine e Nicolas Boileau-Despréaux.[148] O debate diminuiu brevemente em 1700, reacendendo-se mais tarde entre os estudiosos franceses Anne Dacier, uma tradutora e defensora ferrenha de Homero, e o proponente dos Modernos Antoine Houdar de la Motte.[149] As traduções homéricas de Dacier incluíam uma introdução de 90 páginas abordando as críticas de Perrault e outros Modernos; em sua tradução abreviada de Homero, Houdar de la Motte respondeu, e Dacier produziu uma refutação de 600 páginas. Um cessar-fogo retórico foi declarado em 1716.[150]
Como parte da querela, surgiram questões sobre a visão tradicional de Homero como um poeta singular.[151] François Hédelin, Abade d'Aubignac criticou a sustentação do tema por Homero; sua linguagem; e observou que nada se sabia sobre sua vida.[152] Perrault postulou que as epopeias foram escritas por poetas diferentes, possivelmente de cada cidade que afirmava ser o local de nascimento de Homero, e depois reunidas; ele creditou a teoria ao falecido Hédelin.[153] Richard Bentley argumentou que o tirano ateniense Pisístrato reuniu diferentes canções quinhentos anos após a composição inicial.[154] Sua pesquisa também mostrou que o grego homérico não se assemelhava ao grego do período clássico.[6]
Moderno
[editar | editar código]No início do século XX, Milman Parry e Albert Lord demonstraram que cantores analfabetos podiam explorar uma linguagem formulada para improvisar grandes poemas, muito parecido com o grego homérico.[15] Dos 27.803 versos nos textos originais, cerca de 9.200 são repetições, variando de grupos de palavras a seções inteiras.[155] Sua pesquisa mostrou decisivamente que os textos homéricos se formaram como poesia oral.[156] Parry e Lord estavam investigando a tradição épica eslava do sul, inspirados pelo trabalho do filólogo Matija Murko.[15] A tese de doutorado de Parry explorara os epítetos homéricos tradicionais, baseando-se no trabalho do linguista francês Antoine Meillet, mas ele não compreendeu totalmente o significado até viajar para a Iugoslávia para realizar trabalho de campo com Lord.[157][s] A erudição tornou-se cada vez mais interdisciplinar no final do século XX, sintetizando a pesquisa literária com descobertas arqueológicas e religiosas.[69]
Legado
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A influência dos textos homéricos pode ser difícil de resumir devido ao quanto eles afetaram a imaginação popular e os valores culturais.[159] A Odisseia e a Ilíada formaram a base da educação para os membros da sociedade mediterrânea antiga. Esse currículo foi adotado pelos humanistas ocidentais,[160] o que significa que o texto fazia tanto parte do tecido cultural que um indivíduo tê-lo lido era irrelevante.[161] Robert Browning diz que a erudição realizada sobre as epopeias homéricas na Biblioteca de Alexandria "lançou as bases" para a "alfabetização europeia e estudos filológicos".[108] As epopeias marcam o início da tradição literária ocidental e, segundo Corinne Ondine Pasche, têm influência incomparável.[12] A Odisseia reverberou ao longo de um milênio de escrita; uma pesquisa de especialistas para a BBC Culture a nomeou como a narrativa mais duradoura da literatura.[162]
Traduções
[editar | editar código]Lívio Andrônico produziu uma tradução em latim, Odusia.[163] Pouco se sabe sobre a obra completa, que provavelmente não era simplesmente uma tradução,[164] mas os fragmentos sobreviventes são mais formais do que o original, e ele reapropriou imagens homéricas de uma parte do poema para outra.[165] A Odusia de Lívio acabou se tornando um texto escolar para estudantes de latim; Michael von Albrecht diz que sua tradução foi "martelada" em um jovem Horácio.[166] Nicolau Sigeros forneceu a Petrarca manuscritos da Ilíada e da Odisseia em 1354.[t] O correspondente de Petrarca, Giovanni Boccaccio, persuadiu um monge chamado Leôncio Pilatos a produzir traduções em prosa latina — ele terminou a Ilíada, mas apenas chegou perto de terminar a Odisseia.[167] A primeira edição impressa em grego foi publicada em Milão em 1488 por Demétrio Calcóndilas, um estudioso grego residente em Florença.[168]
As traduções impressas para as línguas europeias modernas aumentaram em popularidade no século XVI,[169] embora muitas fossem apenas traduções parciais.[170] A edição mais popular do século foi uma tradução latina palavra por palavra de Andreas Divus.[169] A primeira Odisseia italiana completa, escrita por Girolamo Baccelli em verso livre, foi publicada em 1582.[171] A primeira tradução francesa completa foi composta em dísticos alexandrinos por Salomon Certon e impressa em 1604.[170] Perdeu o favor do público após as reformas linguísticas da Academia Francesa nas décadas de 1630 e 1640.[172] Arthur Hall foi o primeiro a traduzir Homero para o inglês: sua tradução dos primeiros 10 livros da Ilíada, publicada em 1581,[171] baseou-se em uma versão francesa.[173] George Chapman tornou-se o primeiro escritor a completar uma tradução de ambas as epopeias para o inglês após terminar sua tradução da Odisseia.[174] Essas traduções foram publicadas juntas em 1616, mas foram serializadas anteriormente, e se tornaram as primeiras traduções modernas a gozar de amplo sucesso.[175] Ele trabalhou na tradução homérica durante a maior parte de sua vida,[176] e seu trabalho mais tarde inspirou o soneto de John Keats "Ao primeiro olhar sobre o Homero de Chapman" (1816).[177] Emily Wilson escreve que quase todos os tradutores proeminentes da literatura greco-romana eram homens,[178] argumentando que isso impactou a compreensão popular da Odisseia.[179][u]
As traduções das epopeias do século XVIII por Johann Heinrich Voss estão entre suas obras mais celebradas,[181][v] e influenciaram profundamente a língua alemã.[182] Johann Wolfgang von Goethe chamou as traduções de Voss de obras-primas transformacionais que iniciaram o interesse pelo Helenismo alemão.[183] Anne Dacier traduziu a Ilíada e a Odisseia para a prosa francesa,[w] aparecendo em 1711 e 1716, respectivamente;[172] foi a tradução homérica francesa padrão até o final do século XVIII.[185] Antoine Houdar de La Motte, que não sabia ler grego, usou a Ilíada de Dacier para produzir sua própria versão condensada da Ilíada e criticou Homero no prefácio.[149][x] A tradução de Dacier da Odisseia influenciou profundamente a tradução da década de 1720 por Alexander Pope,[187][y] que ele produziu por razões financeiras anos após sua Ilíada.[188] Ele traduziu doze livros ele mesmo e dividiu os outros doze entre Elijah Fenton e William Broome; este último também forneceu anotações.[189][190] Essa informação acabou vazando, prejudicando sua reputação e lucros.[191] A primeira Odisseia em língua russa pode ter sido a tradução de 1849 de Vassíli Jukóvski em hexâmetro.[192][193] Luo Niansheng começou a traduzir a primeira Ilíada em língua chinesa no final da década de 1980, mas morreu em 1990 antes de completá-la; seu aluno Wang Huansheng terminou o projeto, que foi publicado em 1994. A Odisseia de Huansheng veio três anos depois.[194]
Literatura
[editar | editar código]A classicista Edith Hall diz que a Odisseia tem sido considerada "o próprio berço da ficção literária"; na introdução de T. E. Lawrence à epopeia em 1932, ele a chamou de "o maior romance já escrito".[195] É amplamente considerada pelos críticos literários ocidentais como um clássico atemporal,[196] e continua sendo uma das peças literárias mais antigas lidas regularmente pelo público ocidental.[197] Brian Stableford, que a descreveu como uma espécie de precursor da ficção científica, diz que ela foi reconfigurada como ficção científica mais do que qualquer outra obra literária.[198]
No Canto XXVI do Inferno, Dante Alighieri encontra Odisseu no oitavo círculo do inferno: Odisseu acrescenta um novo final à epopeia em que continua aventurando-se e não retorna a Ítaca.[199] Edith Hall sugere que a representação de Odisseu por Dante passou a ser entendida como uma manifestação do Renascença colonialismo e do outramento, com o ciclope representando "relatos de raças monstruosas na borda do mundo", e sua derrota como símbolo "do domínio romano do Mediterrâneo ocidental".[200] Algumas das aventuras de Odisseu reaparecem nos contos árabes de Simbad, o Marinheiro.[201][202]
O romance modernista do escritor irlandês James Joyce, Ulisses (1922), foi significativamente influenciado pela Odisseia. Joyce havia encontrado a figura de Odisseu em As Aventuras de Ulisses, de Charles Lamb, uma adaptação do poema épico para crianças, que parece ter estabelecido o nome latino na mente de Joyce.[203][204] Ulisses, uma releitura da Odisseia ambientada em Dublin, é dividido em dezoito seções ("episódios") que podem ser mapeadas aproximadamente nos vinte e quatro livros da Odisseia.[205] Joyce afirmou conhecer o grego homérico original, mas isso foi contestado por alguns estudiosos, que citam seu fraco domínio da língua como evidência em contrário.[206] O livro, e especialmente sua prosa de fluxo de consciência, é amplamente considerado fundamental para o gênero modernista.[207]
Escritores modernos revisitaram a Odisseia para destacar as personagens femininas do poema. A escritora canadense Margaret Atwood adaptou partes da Odisseia para sua novela A Penelopíada (2005). A novela foca em Penélope e nas doze escravas enforcadas por Odisseu no final do poema,[208] uma imagem que assombrava Atwood.[209] A novela de Atwood comenta o texto original, no qual o retorno bem-sucedido de Odisseu a Ítaca implica a restauração de um sistema patriarcal.[209] Da mesma forma, Circe (2018), de Madeline Miller, revisita a relação entre Odisseu e Circe em Eéia.[210] Como leitora, Miller ficou frustrada com a falta de motivação de Circe no poema original e procurou explicar sua volubilidade.[211] O romance retrata as transformações dos marinheiros em porcos pela feiticeira como um ato de malícia para um de autodefesa, influenciado por sua experiência passada com predadores sexuais.[212]
Cinema e televisão
[editar | editar código]- L'Odissea (1911) é um filme mudo italiano de Giuseppe de Liguoro.[213]
- Ulisses (1954) é uma adaptação cinematográfica italiana estrelada por Kirk Douglas como Ulisses, Silvana Mangano como Penélope e Circe, e Anthony Quinn como Antínoo.[214]
- L'Odissea (1968) é uma minissérie de televisão ítalo-franco-alemã-iugoslava elogiada por sua representação fiel da epopeia original.[215]
- Ulysses 31 (1981–1982) é uma série de animação televisiva franco-japonesa ambientada no futurístico século XXXI.[216]
- A Odisseia (1987) é um filme australiano animado lançado diretamente em vídeo produzido pela Burbank Films Australia que condensa a Odisseia de Homero em uma adaptação de 55 minutos destinada a crianças.[217]
- Nostos: O Retorno (1989) é um filme italiano sobre o regresso de Odisseu. Dirigido por Franco Piavoli, baseia-se na narrativa visual e tem um forte foco na natureza.[218]
- O Olhar de Ulisses (1995), dirigido por Theo Angelopoulos, tem muitos dos elementos da Odisseia tendo como pano de fundo as Guerras dos Bálcãs mais recentes e anteriores.[219]
- A Odisseia (1997) é uma minissérie de televisão dirigida por Andrei Konchalovsky e estrelada por Armand Assante como Odisseu e Greta Scacchi como Penélope.[220]
- Oh, Irmão, Onde Estás? (2000) é um filme de crime comédia dramática escrito, produzido, coeditado e dirigido pelos irmãos Coen e é vagamente baseado no poema de Homero.[221]
- O Retorno (2024) é um filme baseado nos Livros 13–24, dirigido por Uberto Pasolini e estrelado por Ralph Fiennes como Odisseu e Juliette Binoche como Penélope.[222]
- A Odisseia (2026) é um filme escrito e dirigido por Christopher Nolan, estrelado por Matt Damon como Odisseu e Anne Hathaway como Penélope.[223][224]
Ópera e música
[editar | editar código]- Il ritorno d'Ulisse in patria, apresentada pela primeira vez em 1640, é uma ópera de Claudio Monteverdi baseada na segunda metade da Odisseia de Homero.[225]
- Rolf Riehm compôs uma ópera baseada no mito, Sirenen – Bilder des Begehrens und des Vernichtens (Sirenas: Imagens do Desejo e da Destruição), que estreou na Oper Frankfurt em 2014.[226]
- A segunda sinfonia de Robert W. Smith para banda de concerto, A Odisseia, narra quatro dos principais destaques da história nos quatro movimentos da peça: "A Ilíada", "Os Ventos de Poseidon", "A Ilha de Calipso" e "Ítaca".[227]
- O balé Ulysse, de Jean-Claude Gallota,[228] baseado tanto na Odisseia quanto em Ulisses, de James Joyce.[229]
- O trabalho cantado de Jorge Rivera-Herrans, Épico: O Musical, conta a história da Odisseia ao longo de nove "sagas", começando com o fim da Guerra de Troia e seguindo até o regresso de Odisseu a Ítaca.[230][231]
Ciências
[editar | editar código]- O psiquiatra Jonathan Shay escreveu dois livros, Aquiles no Vietnã: Trauma de Combate e o Desfazimento do Caráter (1994)[232] e Odisseu na América: Trauma de Combate e as Provações do Regresso (2002),[233] que relacionam a Ilíada e a Odisseia ao transtorno de estresse pós-traumático e à lesão moral vistos nas histórias de reabilitação de pacientes veteranos de combate.
Notas e referências
Notas
- ↑ Inscrito em um copo de barro encontrado em Ischia, Itália, estão as palavras "Copo de Nestor, bom para beber".[8]. Alguns estudiosos, como Calvert Watkins, associaram este copo a uma descrição do copo de ouro do Rei Nestor na Ilíada.[9] Se o copo é uma alusão à Ilíada, a composição desse poema pode ser datada de pelo menos 700–750 a.C.[4]
- ↑ Papiros contendo fragmentos da Odisseia foram descobertos no Egito, preservados pelo clima seco; estes datam do século III a.C. e diferem das versões medievais.[11]
- ↑ Estas incluem o emparelhamento de substantivos com epítetos adjetivos; cenas-tipo e estrutura quiástica.[14]
- ↑ Chamar essas partes de 'livros' é anacrônico.[28]
- ↑ O alfabeto jônico variava de 20 a 26 letras durante o período homérico.[30]
- ↑ Esta observação é conhecida como "lei de Monro" em homenagem a David Monro.[40]
- ↑ Durante a Querela dos Antigos e Modernos, os Modernos acharam as longas similes homéricas tão desagradáveis que as chamaram de comparaisons à longue queuë ("similes de cauda longa").[74]
- ↑ Essas bibliotecas foram rivais no início do século II a.C. Alexandria viu um êxodo acadêmico devido a divergências políticas internas. A República Romana assumiu o controle de Pérgamo em 133 a.C.[101]
- ↑ Este princípio interpretativo foi notavelmente empregado por Aristarco da Samotrácia;[111] se a máxima real usada por Porffírio, Hómēron ex Homḗrou saphēnízein, também pode ser atribuída a Aristarco é objeto de debate contínuo.[112][113][114]
- ↑ As edições das cidades eram chamadas de ekdoseis kata poleis, apo tōn poleōn, ou politikai; as edições individuais eram ekdoseis kat'andra.[118]
- ↑ Respectivamente, eram chamadas de hē Aiolikē (ou hē Aiolis), hē Argolis, hē Kypria e hē Massaliōtikē.[120]
- ↑ Homero foi repetidamente chamado de "o pai da oratória" ao longo da Antiguidade, inclusive por Télefo de Pérgamo.[125]
- ↑ Robert Browning escreve: "Pode parecer estranho hoje que as crianças fossem ensinadas a arte da leitura a partir de poemas compostos em uma forma de linguagem que ninguém realmente falava ou jamais falou, mas a sociedade grega não foi a única que as ensinou dessa forma."[108]
- ↑ Mary Ebbott escreve: "Fontes antigas indicam que os rapsodos se apresentavam em 'concursos musicais' (mousikoi agōnes) nas Panateneias, pelo menos do final do século VI até o final do século IV a.C."[131]
- ↑ De acordo com Mary Ebbott, os rapsodos tocavam seleções da Ilíada e da Odisseia, o que lentamente contribuiu para que os atenienses identificassem apenas esses poemas como obra de Homero.[131]
- ↑ Alguns estudiosos argumentaram que a tensão religiosa nesse período foi causada pela difusão do cristianismo porque Homero era cada vez mais identificado como pagão, mas não há consenso acadêmico.[134]
- ↑ Temos uma obra sobrevivente de um estudioso bizantino anônimo (publicada como Epimerismos Homéricos em 1983), provavelmente de meados do século IX.[139][140]
- ↑ A Odisseia não foi o único texto nesta edição: incluía todas as obras classicamente atribuídas a Homero: a Ilíada, a Batracomiomaquia e os Hinos Homéricos.[147] Maria Mavroudi atribui a compilação de todos os textos homéricos prospectivos por Demétrio para sua edição ao interesse dos estudiosos bizantinos em interpretar os textos em vez de debater sua autoria.[136]
- ↑ Parry morreu, aos 33 anos, devido a um tiro acidental no peito.[158]
- ↑ Petrarca escreveu em uma carta: "Homero é mudo para mim, ou, melhor, eu sou surdo para ele. Ainda assim, gosto apenas de olhar para ele e, muitas vezes, abraçando-o e suspirando, digo: 'Ó grande homem, com que entusiasmo eu ouviria você.'" Ele tentou aprender grego sem sucesso.[167]
- ↑ Wilson argumenta que esses tradutores inseriram conotações na narrativa que não estavam presentes no texto original. Por exemplo, ela diz que vários tradutores interpretaram a linguagem usada para se referir às escravas que faziam sexo com os pretendentes — o artigo feminino hai (Predefinição:Literal translation) — como significando vadias ou prostitutas.[180]
- ↑ Voss produziu traduções de outros clássicos também e eventualmente revisou sua versão da Odisseia, mas esta recebeu uma recepção menos favorável.[181]
- ↑ A Ilíada de Dacier foi bem recebida criticamente; ela forneceu comentários históricos e linguísticos juntamente com ela.[184]
- ↑ A tradução de Houdar de la Motte era muito mais curta e modernizada. Seu argumento de que havia melhorado Homero enfureceu Dacier, que escreveu uma refutação de 600 páginas.[186]
- ↑ Dacier não falava inglês e, para ler a Odisseia de Pope, baseou-se numa tradução pobre dela; ela a condenou em uma nota preliminar de uma nova versão de sua Ilíada. Pope admirava Dacier e ficou magoado, mas ela morreu em 1720 antes que ele pudesse responder.[185]
Referências
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Leitura adicional
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- Thurman, Judith (18 September 2023). "Mother Tongue: Emily Wilson Makes Homer Modern", The New Yorker. pp. 46–53. Uma biografia e apresentação das teorias e práticas de tradução de Emily Wilson. "'Como tradutora, estava determinada a tornar toda a experiência humana dos poemas acessível', disse Wilson." (p. 47.)
- Wilson, Emily (2023). «First Woman to Translate Homer's Odyssey Into English: How Modern Bias Is Projected Onto Antiquity». Time. Cópia arquivada em 2025
Ligações externas
[editar | editar código]- The Odyssey (em grego antigo) no Perseus Project
- Odyssey: o texto grego apresentado com a tradução de Butler e vocabulário, notas e análise de formas gramaticais difíceis
- Odisseia no Perseus Project (em grego clássico). O site, além de conter diversas traduções paralelas para o inglês, permite que o usuário confira a tradução de palavra por palavra, apenas clicando sobre elas.
- Odisseia em português traduzida por Odorico Mendes.
- Odisseia em português (adaptação em prosa). Adaptação em prosa traduzida em português para ser lida online.
- AS MULHERES DE ODISSEU: A Ilíada e a Odisseia contadas pelas personagens femininas. Recriação apoiada pela Bolsa Funarte de Criação Literária.