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Desgarrada

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Desgarrada
Cantares ao Desafio ao vivo em Agosto de 2010 em Savariz, Reriz, Castro Daire, Viseu, Portugal, com os cantadores Américo Silva (Monteiras), Maria do Carmo (Sernancelhe) e o tocador de concertina Joel Gonçalves.
Instrumentos típicosVoz, Concertina, Gaita de beiços, Acordeão
Formas regionais
Minho, Douro Litoral, Beira Alta
Outros tópicos
Fado, Música do Mundo

Desgarrada é uma cantiga popular em que os cantadores vão improvisando, desafiando e respondendo um ao outro, normalmente ao som de concertina.[1][2][3] Para além de "Desgarradas", também recebem denominações de Cantares ao Desafio,[4] Cantigas ao Desafio,[5] Cantigas à Desgarrada,[6] etc.

O termo também é utilizado para caracterizar uma forma de interpretação de fado, neste caso com acompanhamento de viola e guitarra portuguesa, com reconhecidos intérpretes como Fernando Maurício[7] ou Vicente da Câmara.[8]

Entre os artistas que gravaram desgarradas podemos encontrar nomes como Quim Barreiros,[9] Augusto Canário[10] ou até Jorge Ferreira,[11] que por várias vezes visitou este género.

História

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Ligadas a ocasiões festivas, como romarias, feiras, desfolhadas, serões,[5] etc., ou em Encontros de Cantadores,[4] as desgarradas podem eventualmente ser escutadas em todo o país,[3] embora as tradições sejam mais profundas em Trás-os-Montes, províncias do Minho, no Douro Litoral e Beira Alta.[12]

Nos cantares ao desafio, durante largos minutos,[12] são abordados os temas como escárnio e maldizer, amor e ódio, fé e caridade,[4] improvisando as rimas e respondendo, preferencialmente de forma jocosa, ao outro cantador, podendo ser encontradas origens trovadorescas.[3]

É possível encontrar, numa edição de 1926, a seguinte referência à intervenção de uma cantadeira:[13]

[…] uma, cantando ao desafio, despicou-se assim quando o cantador lhe aludiu às sardas:
«Vós chamais-me lentejosa, — Foi Deus servido eu tê-las; Também o céu é bonito, — E mais tem suas estrêlas!»

– in, Trabalhos da Sociedade Portuguêsa de Antropologia e Etnologia, Volume 3, 1926, p. 124

Em 2005, os cantares ao desafio ou as galegas regueifas fizeram parte da candidatura da "Tradição oral galaico-portuguesa" a Património Imaterial da Humanidade, junto da UNESCO.[14] A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura rejeitou esta candidatura considerando que era demasiado abrangente.[15]

Lista de agremiações

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Ver também

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Referências

  1. ↑ «desgarrada». Infopédia. Porto Editora. Consultado em 22 de agosto de 2011
  2. ↑ Cabral, António . Livro Jogos populares portugueses de jovens e adultos, p. 35, 3.ª edição, Lisboa, Editorial Notícias, 1998. Acesso 2011-08-22
  3. 1 2 3 CABRAL, António (1998). Livro Jogos populares portugueses de jovens e adultos 3.ª ed. Lisboa: Editorial Notícias. p. 35. Consultado em 22 de agosto de 2011
  4. 1 2 3 «Cantador ao desafio é homenageado aos 50 anos de carreira». Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis. 23 de setembro de 2010. Consultado em 22 de agosto de 2011
  5. 1 2 COUTINHO, Artur R. (2007). Livro Cancioneiro da Serra d'Arga 4.ª ed. Viana do Castelo: Edição A. Coutinho. ISBN 972-95188-1-5. Consultado em 22 de agosto de 2011
  6. ↑ FERREIRA, Joaquim Alves (1999). Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro - Cancioneiro. II. Vila Real: Minerva Transmontana Tip. ISBN 972-9462-19-4. Consultado em 22 de agosto de 2011
  7. ↑ «Desgarradas (2008) de Fernando Maurício». Fonoteca da Câmara Municipal de Lisboa. Consultado em 22 de agosto de 2011
  8. ↑ «Desgarradas (1998) de Vicente da Câmara». Fonoteca da Câmara Municipal de Lisboa. Consultado em 22 de agosto de 2011
  9. ↑ «Cantigas ao desafio (a um bicho) vol. 4 (1993) de Quim Barreiros». Fonoteca da Câmara Municipal de Lisboa. Consultado em 22 de agosto de 2011
  10. ↑ «Cantigas de festejar: concertinas e desgarradas de Augusto Canário (2007)». Fonoteca da Câmara Municipal de Lisboa. Consultado em 22 de agosto de 2011
  11. ↑ «Celebrando 30 Anos De Carreira - Só Desgarradas (2009) de Jorge Ferreira Da Silva». CDandLP. Consultado em 2 de março de 2026
  12. 1 2 «A Liga dos Últimos em Lousada». RTP Arquivos. 28 de abril de 2009. Minuto 11:42. Consultado em 2 de março de 2026
  13. ↑ Trabalhos da Sociedade Portuguêsa de Antropologia e Etnologia. 3. Porto: Imprensa Portuguesa. 1926–1928. p. 124. Consultado em 2 de março de 2026
  14. ↑ Luís, Cláudia (4 de fevereiro de 2005). «Candidatura luso-galaica a património da Humanidade». Jornal de Notícias. Consultado em 15 de setembro de 2011
  15. ↑ «UNESCO chumba tradições orais galaico-portuguesas». Correio da Manhã. 26 de novembro de 2005. Consultado em 15 de setembro de 2011. Arquivado do original em 5 de março de 2016
  16. ↑ «Diário da República III Série N.º 87» (PDF). 5 de maio de 2006. p. 5. Consultado em 25 de agosto de 2011
  17. ↑ «Diário da República III Série N.º 115» (PDF). 18 de maio de 2001. p. 4. Consultado em 25 de agosto de 2011
  18. ↑ «Diário da República III Série N.º 39» (PDF). 23 de fevereiro de 2006. p. 4. Consultado em 25 de agosto de 2011
  19. ↑ «Associação Popular de Cantares ao Desafio de Vila Nova de Famalicão». Diretório de empresas de Portugal. Consultado em 25 de agosto de 2011

Bibliografia

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  • BARRIGA, Maria José (2003). Cante ao Baldão: Uma prática de desafio no Alentejo. [S.l.]: Edições Colibri 

Ligações externas

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