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C-pop

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
C-pop
Origens estilísticasCanções chinesas, jazz e música de dança ocidental.[1]
Contexto culturalXangai, década de 1920.[1]
Instrumentos típicosVoz e combinações de instrumentos chineses, instrumentos ocidentais e sons eletrônicos.[2][3]
Subgêneros
Mandopop, Cantopop, Pop hokkien e pop em hakka.[4][5]
Formas regionais
China continental, Hong Kong, Taiwan e comunidades chinesas do Sudeste Asiático.[6][7]

C-pop, ou música pop chinesa, é uma expressão usada para reunir a música popular em línguas chinesas, como o mandarim, o cantonês e o hokkien, produzida na China continental e em outras comunidades chinesas.[4][6] A designação também é empregada em sentido mais restrito para a produção da China continental, de modo que seu alcance varia conforme o contexto.[4]

O repertório se desenvolveu na Xangai dos anos 1920, com canções que combinavam melodias chinesas, jazz e música de dança ocidental.[1] Discos, cinema, rádio e televisão ampliaram sua circulação, enquanto centros de produção como Hong Kong e Taiwan formaram mercados e estilos próprios.[2][6]

As distinções entre Mandopop, Cantopop e pop hokkien se referem sobretudo à língua cantada e aos meios de produção e circulação, sem estabelecer um único ritmo ou conjunto de instrumentos para cada repertório.[4][8] Baladas, rock, R&B e rap podem fazer parte da música popular em línguas chinesas.[9][3]

Nomes e alcance

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Em chinês, liuxing yinyue significa música popular ou música pop, sem reproduzir necessariamente a distinção entre os dois termos feita em parte da bibliografia de língua inglesa.[4] O uso de C-pop também varia, e Zhao Yue, por exemplo, restringiu a expressão à China continental em sua pesquisa, embora tenha reconhecido seu emprego para canções em outras línguas chinesas e em outras regiões.[4]

A língua de uma gravação não determina sozinha o lugar de origem ou toda a carreira de seu intérprete.[8][6] Em Taiwan, músicos gravam em mandarim, hokkien, hakka e línguas indígenas, enquanto artistas de Hong Kong, como Faye Wong, também desenvolveram repertórios em mandarim.[8][6]

História

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Canção comercial em Xangai

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A indústria de gravação, o rádio e o cinema de Xangai deram espaço a uma produção comercial de canções nas primeiras décadas do século XX.[2] A Pathé se estabeleceu na cidade em 1908, gravando repertórios de ópera antes da expansão das canções populares.[2]

Nos anos 1920, Li Jinhui organizou conjuntos de canto e dança e compôs canções, entre elas "Drizzle", interpretada por sua filha Li Minghui.[1] O repertório chamado shidaiqu combinava melodias chinesas com jazz e ritmos de dança, como tango, rumba e foxtrote.[2] A música também se difundia por filmes e emissoras, que ajudaram a divulgar cantoras como Zhou Xuan, Yao Li e Bai Guang.[10]

Nacionalistas e comunistas criticaram essa produção como "música amarela", expressão que a apresentava como indecente ou incompatível com seus objetivos políticos.[1] Depois de 1949, a transferência de músicos e empresas de entretenimento para Hong Kong permitiu que parte do repertório continuasse a ser produzida fora da China continental.[2]

Mercados regionais

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Hong Kong tornou-se um centro de gravação e circulação de canções em mandarim, antes da expansão do Cantopop nos anos 1970.[6] Nos anos 1980 e até meados da década de 1990, a música em cantonês alcançou públicos em Taiwan, Singapura, na China continental e na diáspora chinesa.[6] No final dos anos 1990, suas vendas diminuíram, em meio à pirataria e a mudanças no mercado fonográfico.[6]

Taiwan desenvolveu uma indústria de música em mandarim que ganhou público regional, sobretudo na década de 1990.[11] A predominância dessa língua nos meios de comunicação também esteve ligada a políticas do Kuomintang que restringiam outras línguas na televisão e no rádio.[8] A revogação da lei marcial em 1987 foi acompanhada pela ampliação do espaço para a criação em línguas locais.[8]

Em Singapura, estudantes passaram a compor suas próprias canções em mandarim no final dos anos 1970, e o movimento xinyao se difundiu por escolas, rádios, centros comunitários e concursos.[7] Alguns de seus participantes, como Eric Moo, ingressaram no mercado profissional de música popular.[7]

Novos estilos e meios de divulgação

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Na produção em mandarim, intérpretes como David Tao, Jay Chou e Leehom Wang incorporaram R&B e rap, com mudanças nos arranjos e no canto.[9] O zhongguofeng reuniu letras inspiradas na literatura e em temas chineses, escalas pentatônicas e timbres de instrumentos como erhu e guzheng com sons de música pop.[3]

A internet ampliou os meios de distribuição, com downloads licenciados e serviços sustentados por publicidade.[12] Em 2009, o Google expandiu seu serviço musical chinês com obras de Sony BMG, Warner, Universal e EMI, em parceria com o Top100.cn.[12]

William Wei ganhou a primeira temporada do concurso televisivo Happy Sunday e seguiu carreira em Taiwan, em meio à expansão de atrações como One Million Star.[13] Em 2021, o órgão regulador de rádio e televisão da China continental proibiu programas destinados à formação competitiva de ídolos e votações dependentes da compra de produtos.[14]

Repertórios linguísticos

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RepertórioLíngua e circulação
Mandopop[11]Canções em mandarim, com produção em Taiwan e público na China continental e em outras comunidades de língua chinesa.[11]
Cantopop[6]Canções em cantonês, com centro de produção em Hong Kong e circulação na Ásia e na diáspora chinesa.[6]
Pop hokkien[8][15]Canções em hokkien, sobretudo a variedade taiwanesa, com repertórios comerciais de cinema, baladas, rock e rap.[8][15]
Pop em hakka[5]Canções em hakka, com produção em Taiwan que combina repertórios locais e influências japonesas e ocidentais.[5]

A produção em hakka não se limita às canções tradicionais, e músicos como Wu Sheng-chih combinaram o canto de montanha com o rock.[16] Seu álbum Fated, lançado em 1981, antecedeu trabalhos de bandas e compositores que ampliaram o repertório pop nessa língua.[16]

Em Taiwan, as novas canções em hokkien também usaram rock e rap, como no álbum Songs of Madness, lançado pelo Blacklist Studio em 1989.[17][15] A música popular de Taiwan também é produzida em hakka e em línguas indígenas, além do mandarim e do hokkien.[8]

Indústria e reconhecimento

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Os Golden Melody Awards, realizados em Taiwan desde 1990, distinguem categorias de música em mandarim, hokkien, hakka e línguas indígenas.[18] A premiação alterou em 2021 o nome da categoria de álbum em mandarim, substituindo a denominação de "língua nacional" por uma referência explícita ao idioma.[18]

Em 2009, uma seleção de duzentos álbuns de música popular de Taiwan reuniu trabalhos em mandarim, hokkien, hakka e línguas indígenas, com votos de críticos, músicos e profissionais da indústria.[17] Os critérios permitiram que álbuns de músicos da China continental, como Cui Jian, também fossem considerados quando cantados em mandarim.[17]

A circulação internacional inclui classificações comerciais fora dos mercados de língua chinesa.[19] Em 2022, Greatest Works of Art, de Jay Chou, liderou a lista mundial de vendas de álbuns da IFPI, que reúne formatos físicos e downloads pagos, sem incluir audições em streaming.[19]

Ver também

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O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre C-pop

Referências

  1. 1 2 3 4 5 «Shanghai Jazz: A Culture Mix» (PDF) (em inglês). Universidade do Sul da Califórnia. 19 de novembro de 2019. pp. 1–2. Consultado em 5 de novembro de 2026
  2. 1 2 3 4 5 6 7 Szu-Wei Chen (fevereiro de 2007). The Music Industry and Popular Song in 1930s and 1940s Shanghai: A Historical and Stylistic Analysis (PDF) (em inglês). [S.l.]: Universidade de Stirling. pp. 2–9, 110. Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 18 de abril de 2025
  3. 1 2 3 Li Fan; Chow Ow Wei; Lee Yok Fee; Mastura Mahamed; Connie Lim Keh Nie (2024). «East Wind Breaks: Identification of Zhongguofeng Music as a Form of "Chinese Crossover" and "Hybrid Thinking" in Contemporary Mandopop». Harmonia: Journal of Arts Research and Education (em inglês). 24 (2): 271–284. doi:10.15294/harmonia.v24i2.13253. Consultado em 5 de novembro de 2026
  4. 1 2 3 4 5 6 7 Zhao Yue (dezembro de 2010). The Musicality of C-Pop: A Study of Chinese Popular Music from 1985–2010 (PDF) (em inglês). [S.l.]: Universidade de Sheffield. pp. i–iii, 1. Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 30 de setembro de 2026
  5. 1 2 3 «Contemporary Hakka music» (em inglês). Hakka Affairs Council de Taiwan. 24 de julho de 2018. Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 11 de dezembro de 2025
  6. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Yiu-Wai Chu (2017). Hong Kong Cantopop: A Concise History (PDF) (em inglês). [S.l.]: Hong Kong University Press. pp. 1–2, 9–10, 201, 211. Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 1 de outubro de 2025
  7. 1 2 3 Jaime Koh (22 de janeiro de 2014). «Xinyao: Made in Singapore» (em inglês). National Library Board de Singapura. pp. 1–4. Consultado em 5 de novembro de 2026
  8. 1 2 3 4 5 6 7 8 Wai-Chung Ho (2007). «Music and cultural politics in Taiwan». International Journal of Cultural Studies (em inglês). 10 (4): 463–483. doi:10.1177/1367877907083080. Consultado em 5 de novembro de 2026. Arquivado do original em 16 de abril de 2024
  9. 1 2 Fung Ying Loo; Di Bao (2025). «The Development of R&B Mandopop from 1980s to 2000s: from Faux-Pastiche, Authentic Representation, to Chinese Cultural Heritage Revival». Música Hodie (em inglês). 25: e81454. doi:10.5216/mh.v25.81454. Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2026
  10. ↑ Jess C. (8 de agosto de 2001). «An Introduction to Shi Dai Qu» (em inglês). Kakiseni, preservado pelo MY Art Memory Project. Consultado em 5 de novembro de 2026
  11. 1 2 3 Marc L. Moskowitz (novembro de 2009). «Cries of Joy, Songs of Sorrow: Chinese Pop Music and Its Cultural Connotations» (em inglês). University of Hawaiʻi Press. Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 17 de maio de 2025
  12. 1 2 Owen Fletcher (30 de março de 2009). «Google Expands Free Music Downloads in China». PCWorld (em inglês). Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 2 de outubro de 2023
  13. ↑ Andrew C. C. Huang (18 de dezembro de 2009). «MUSIC: Standing on the shoulders of idols». Taipei Times (em inglês). Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 16 de setembro de 2026
  14. ↑ Agence France-Presse (2 de setembro de 2021). «China Bans Reality Talent Shows In Major Showbiz Crackdown». NDTV (em inglês). Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 14 de setembro de 2025
  15. 1 2 3 Wang Hsin-Chuan (6 de setembro de 2013). «A Brief Talk About Taiwanese Contemporary Folk Music – From "Sing Our Own Songs" to "Do What We Love"» (em inglês). Taiwan Beats, Taiwan Creative Content Agency. Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 15 de maio de 2026
  16. 1 2 «Wu Sheng-chih: the pioneer of contemporary Hakka pop music» (em inglês). Hakka Affairs Council de Taiwan. 6 de agosto de 2018. Consultado em 5 de novembro de 2026
  17. 1 2 3 David Chen (6 de abril de 2009). «Top of the pops». Taipei Times (em inglês). Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2023
  18. 1 2 黃其安 (24 de agosto de 2021). «The 32th Golden Melody Awards Rename Award Category in Support of Multi-ethnic Languages» (em inglês). Taiwan Creative Content Agency. Consultado em 5 de novembro de 2026
  19. 1 2 Shim Sun-ah (28 de março de 2023). «K-pop generates 8 of world's 10 most-sold albums in 2022». Yonhap News Agency (em inglês). Consultado em 5 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 30 de maio de 2023

Leitura adicional

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Ligações externas

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