Sultanato de Mara
Sultanato de Mara | |||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| |||||||||
| Continente | Ásia | ||||||||
| Capital | Caxém | ||||||||
| Países atuais | |||||||||
| Língua oficial | meri | ||||||||
| Religião | Islamismo | ||||||||
| Moeda | |||||||||
| Período histórico | Idade Média Idade Moderna Idade Contemporânea | ||||||||
| |||||||||
O Sultanato de Mara (em árabe: سلطنة المهرة; romaniz.: Salṭanat al-Mahra) foi um Estado tribal localizado no sudeste da Península Arábica, abrangendo a região histórica de Mara, entre Hadramaute e Omã, ao longo da costa do mar da Arábia. Governado por linhagens dos maraítas, constituiu durante séculos uma das principais entidades políticas da costa meridional da Arábia. Seu território corresponde aproximadamente à atual província iemenita de Mara, estendendo-se historicamente também sobre áreas atualmente pertencentes a Omã.
História
[editar | editar código]O Sultanato de Mara consolidou-se durante a Idade Média como a principal entidade política dos maraítas, exercendo autoridade sobre a região histórica de Mara, na costa meridional da Península Arábica, e, posteriormente, também sobre a ilha de Socotorá. Sua capital situava-se tradicionalmente em Caxém, no litoral do mar da Arábia, embora os últimos sultões tenham preferido residir em Tanrida (atual Hadibu), em Socotorá.[1] O poder dos sultões variava conforme a cooperação dos chefes tribais locais. Enquanto as cidades costeiras permaneciam sob administração relativamente direta, as tribos nômades do interior conservavam elevado grau de autonomia. A posição geográfica de Mara conferiu importância estratégica ao sultanato nas rotas marítimas do oceano Índico, favorecendo suas relações políticas e comerciais com Hadramaute, Omã, Socotorá e outras regiões do sul da Arábia. A partir do século XVI, a expansão portuguesa no oceano Índico alterou o equilíbrio político da região. Embora os portugueses tenham estabelecido contatos com os governantes locais e intervindo ocasionalmente no litoral sul-arábico, o Sultanato de Mara permaneceu em grande parte fora de seu domínio direto.[2] No século XIX, o sultão celebrou tratados com o Império Britânico em 1886 e 1888, pelos quais aceitou o estabelecimento de um protetorado britânico sobre seus domínios. O sultanato manteve sua administração interna sob essa tutela até 1967, quando a retirada britânica do sul da Arábia foi acompanhada da deposição do último sultão e da incorporação do território ao recém-formado Iêmen do Sul.[1]
Organização
[editar | editar código]O Sultanato de Mara possuía estrutura política fortemente descentralizada. A autoridade do sultão dependia da colaboração dos chefes das principais tribos e clãs maraítas, responsáveis pela administração das diferentes regiões do território. Essa organização permitiu a preservação da autonomia das comunidades tribais ao longo de séculos, constituindo um dos principais fatores de continuidade política e social dos maraítas.[2]
Referências
- 1 2 Britannica Editors 1998.
- 1 2 El-Ali 1986, pp. 83–84.
Bibliografia
[editar | editar código]- Britannica Editors (1998). «Mahra Sultanate». Encyclopædia Britannica Online. Consultado em 3 de agosto de 2026
- Müller, W. W. (1991). «Mahra». In: C. E. Bosworth; E. van Donzel; Ch. Pellat. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. VI: Mahk–Mid. Leiden: E. J. Brill. pp. 137–140. ISBN 978-90-04-08112-3