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Paraganglioma

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O paraganglioma é um tumor neuroendócrino raro que se origina a partir de células cromafins ou não cromafins do sistema nervoso autónomo (simpático ou parassimpático) localizadas fora da glândula suprarrenal, distinguindo-se do feocromocitoma pela localização extrassuprarrenal. Sendo o tumor sólido com a maior herdabilidade conhecida, cerca de 40% dos casos associam-se a mutações genéticas germinais, sobretudo nos genes do complexo da desidrogenase de succinato (SDHx), tornando o rastreio genético indispensável. Estes tumores dividem-se em paragangliomas parassimpáticos, localizados sobretudo na cabeça e no pescoço (como na bifurcação carotídea ou no osso temporal), que não são funcionantes e causam zumbidos pulsáteis, massas indolores ou paralisia de nervos cranianos; e paragangliomas simpáticos, situados nas cadeias ganglionares abdominais ou torácicas, que são funcionantes. Estes últimos secretam catecolaminas para a corrente sanguínea, provocando crises de cefaleias intensas, suores profusos, palpitações e hipertensão arterial grave. O diagnóstico inicial baseia-se na medição de metanefrinas livres plasmáticas ou urinárias, sendo a sua localização determinada por tomografia computadorizada, ressonância magnética e exames funcionais como o TEP/TC com gálio 68. A malignidade é definida estritamente pela presença de metástases em tecidos não cromafins (como ossos ou fígado), uma vez que lesões benignas e malignas são histologicamente idênticas na biopsia inicial. O tratamento curativo definitivo assenta na resseção cirúrgica — que exige um bloqueio alfa-adrenérgico pré-operatório nos casos funcionantes —, recorrendo-se à radiocirurgia estereotática para tumores cervicais complexos e a terapias sistémicas na doença metastática, sendo essencial um acompanhamento clínico e bioquímico vitalício devido ao risco contínuo de recidiva tardia.[1][2][3][4][5][6][7][8][9][10]

Referências

  1. ↑ Taïeb, David; Wanna, George B.; Ahmad, Maleeha; Lussey-Lepoutre, Charlotte; Perrier, Nancy D.; Nölting, Svenja; Amar, Laurence; Timmers, Henri J. L. M.; Schwam, Zachary G.; Estrera, Anthony L.; Lim, Michael; Pollom, Erqi Liu; Vitzthum, Lucas; Bourdeau, Isabelle; Casey, Ruth T. (1 de maio de 2023). «Clinical consensus guideline on the management of phaeochromocytoma and paraganglioma in patients harbouring germline SDHD pathogenic variants». Elsevier. The Lancet Diabetes & Endocrinology (em English). 11 (5): 345–361. ISSN 2213-8587. PMC 10182476Acessível livremente. PMID 37011647. doi:10.1016/S2213-8587(23)00038-4
  2. ↑ Casey, Ruth T; Lussey-Lepoutre, Charlotte (1 de outubro de 2026). «Paraganglioma and phaeochromocytoma: a review of current guidelines and new diagnostic and therapeutic approaches». Endocrine-Related Cancer (em inglês). 33 (10). ISSN 1351-0088. doi:10.1530/ERC-26-0310
  3. ↑ Cerqueira, Ana; Seco, Tiago; Costa, Ana; Tavares, Maria; Cotter, Jorge (5 de maio de 2020). «Pheochromocytoma and Paraganglioma: A Review of Diagnosis, Management and Treatment of Rare Causes of Hypertension». Cureus. 12 (5): e7969. ISSN 2168-8184. PMC 7273359Acessível livremente. PMID 32523826. doi:10.7759/cureus.7969
  4. ↑ Bausch, Birke; Schiavi, Francesca; Ni, Ying; Welander, Jenny; Patocs, Attila; Ngeow, Joanne; Wellner, Ulrich; Malinoc, Angelica; Taschin, Elisa; Barbon, Giovanni; Lanza, Virginia; Söderkvist, Peter; Stenman, Adam; Larsson, Catharina; Svahn, Fredrika (1 de setembro de 2017). «Clinical Characterization of the Pheochromocytoma and Paraganglioma Susceptibility Genes SDHA, TMEM127, MAX, and SDHAF2 for Gene-Informed Prevention». JAMA Oncology. 3 (9): 1204–1212. ISSN 2374-2437. doi:10.1001/jamaoncol.2017.0223
  5. ↑ McCrary, Hilary C.; Babajanian, Eric; Calquin, Matias; Carpenter, Patrick; Casazza, Geoffrey; Naumer, Anne; Greenberg, Samantha; Kohlmann, Wendy; Cannon, Richard; Monroe, Marcus M.; Hunt, Jason P.; Buchmann, Luke (1 de julho de 2019). «Characterization of Malignant Head and Neck Paragangliomas at a Single Institution Across Multiple Decades». JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery. 145 (7): 641–646. ISSN 2168-6181. doi:10.1001/jamaoto.2019.1110
  6. ↑ Ramos, Sofia; Simões, Sara; Amorim, Marina; Costa, Maria Adelina; Campos, Guilherme; Fonseca, Graça; Carvalho, Miguel; Vieira, Pedro; Calçada, Cármen; Costa, Paulo Serafim (24 de março de 2024). «Radiocirurgia robótica no tratamento de paragangliomas do osso temporal: experiência de um centro e revisão da literatura». Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia-Cirurgia de Cabeça e Pescoço. 62 (1): 21–28. ISSN 2184-6499. doi:10.34631/sporl.2092
  7. ↑ Mesquita Junior, Nelson; Silva, Rogério Santos; Ribeiro, José Henrique Agner; Batista, Lislaine Cruz; Bringhentti, Emanuelle Melania Stedille; Souza, Bruno Benjamin Brunini de; Cabral, Lisiane Cristine da Mota (junho de 2016). «Tumor de corpo carotídeo (paraganglioma): relato de dois casos submetidos a tratamento cirúrgico». Jornal Vascular Brasileiro. 15 (2): 158–164. ISSN 1677-5449. PMC 5829712Acessível livremente. PMID 29930583. doi:10.1590/1677-5449.007315
  8. ↑ Naime, Fauzia de Fátima; Begliomini, Hélio; Araújo, Maria Cecilia; Santos, Maria Custódia dos; Moraes, Regina Stela Pozzi; Duarte, Jorge; Júnior, Demerval Mattos (1997). «Paraganglioma de bexiga - Relato de um caso e revisão da literatura». Revista Brasileira de Cancerologia. 43 (2): 127–132. ISSN 2176-9745. doi:10.32635/2176-9745.RBC.1997v43n2.2847
  9. ↑ «Paraganglioma». www.ncbi.nlm.nih.gov. Consultado em 5 de novembro de 2026
  10. ↑ Kuhlen, Michaela; Virgone, Calogero; Rigaud, Charlotte; Irtan, Sabine; Casey, Ruth; Pamporaki, Christina; Kunstreich, Marina; Lopez-Almara, Ricardo; Ben-Ami, Tal; Bien, Ewa; Krawczyk, Malgorzata A; Mazic Cesen, Maja; Ferrari, Andrea; Bisogno, Gianni; Reguerre, Yves (26 de novembro de 2025). «European clinical guidance for the management of adrenal and extra-adrenal paraganglioma in children and adolescents: a consensus by the EXPeRT group». European Journal of Endocrinology (em inglês). 193 (6): G113–G126. ISSN 0804-4643. doi:10.1093/ejendo/lvaf239