Katú Mirim
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| Katú Mirim | |
|---|---|
Katú em 2019 | |
| Nome completo | Kátia Sabino Rodrigues |
| Nascimento | 9 de outubro de 1986 (40 anos) Jundiaí, São Paulo |
| Nacionalidade | brasileira |
| Etnia | Boe bororo |
| Ocupação | |
| Período de atividade | 2017–presente |
| Carreira musical | |
| Gênero(s) | |
| Instrumento(s) | vocais |
Kátia Sabino Rodrigues (Jundiaí, 9 de outubro de 1986), mais conhecida pelo nome artístico Katú Mirim, é uma cantora, compositora, rapper e atriz brasileira.[1][2] A cantora tem sido uma das grandes vozes indígenas na construção de um novo imaginário sobre o futuro, identidade indígena e memoria ancestral. É a primeira cantora indígena a criar um EP todo na temática futurista, solarpunk e synthpop. As composições de Katú Mirim não apenas refletem as questões indígenas, mas também as questões de classe, gênero e sexualidade. Ela também não se encaixa apenas como rapper ou rockstar, e se denomina como uma artista livre.
O estilo da artista é uma fusão poderosa entre fashion, futurismo e ancestralidade, criando uma identidade visual única que reflete sua música e seu ativismo. Considerada uma indígena cyberpunk, por hackear o sistema, apesar do seu estilo cyberpunk Katú acredita e tem fé em um futuro solarpunk. Seu estilo comunica força, rebeldia e autenticidade.
A artista, indígena e lésbica, foi precursora ao falar midiaticamente sobre auto declaração indígena, retomada de identidade e questões LGBTQ entre povos originários.[3] Katú Mirim foi uma das primeiras influenciadoras indígenas a ganhar notoriedade na internet,[4] tendo começado a criar conteúdos em 2015. Sua música e ativismo transcendem o entretenimento, tornando-se um manifesto vivo pela decolonização das mentes e espaços. Katú Mirim é uma das artistas mais importantes e inovadoras da música indígena contemporânea. Sua música, que mistura rap, pop, rock e synthpop, é um marco no rap indígena brasileiro e no rock indígena.[5]
Biografia
[editar | editar código]Katú Mirim nasceu e cresceu na periferia do interior paulista. Com onze meses de idade foi adotada por um casal de não indígenas. Veio a ter conhecimento de que era adotada ainda na infância e descobriu que era filha biológica de pai indígena da etnia Boe Bororo e mãe preta. Seu pai era indígena pertencente ao povo Boe Bororo e sua mãe era uma mulher preta, periférica (ambos já faleceram). Sua família adotiva era composta por pai, mãe e irmã. Seu pai adotivo faleceu em 2010 e sua irmã em 2020 na pandemia. Katú Mirim foi reconhecida como Boe Bororo por várias lideranças Boe Bororo, como Majur Harachell, cacique da aldeia Apido Paru, e Raimundo Itogoga, chefe de cultura da aldeia Apido Paru. Em 2023 recebeu o nome de Merikaredo pelo chefe de cultura Boe Bororo, Raimundo Itogoga. No seu Instagram ela fala mais sobre o resgate de sua identidade.[6]
Carreira
[editar | editar código]Em 2003 iniciou na música como cantora da banda de garagem Kids Six, banda Emo da cidade de Jundiaí. Em 2017 retornou para a música, cantando Rap lançou seu primeiro single Aguyjevete. [6]
Em 2017 viralizou com a hashtag #indionaoefantasia, trazendo à tona o debate sobre os costumes indígenas utilizados fora do contexto aos quais eles pertencem. Ainda 2017, a artista decidiu usar suas ações pela causa indígena para fundar o movimento “VI Visibilidade Indígena”, que luta pelos direitos e representatividade dos artistas indígenas. Em 2018 participou da gravação da música “Retomada”, juntamente com Marina Peralta e Afrojess.[7]
Em 2019 Fundou o primeiro coletivo indígena lgbtq do Brasil, o Tybyra coletivo que luta por politicas públicas, visibilidade e respeito para os indígenas lgbtq+.[8] Em 2019 foi a primeira artista indígena brasileira a realizar show para a marca Levi’s.[9] Se apresentou no Festival Red Bull Amaphiko.[10] Participou do Órbita Festival onde dividiu o palco com Edgar.[11] Prestou consultoria à Maurício de Souza Produções na construção do espetáculo "Brasilis".[12] Desfilou no São Paulo Fashion Week.[1] Participou do comercial da Converse e do podcast POC de Cultura patrocinado pela mesma, junto ao coletivo Tibira - LGBTQ+ Indígena.[13] Participou do encontro MASP Professores, "Eu sou porque nós somos: mulheres e interseccionalidade", o programa se dedicou a discutir a importância de conhecer e compreender as experiências vividas por mulheres em diferentes dimensões e camadas sociais, considerando a necessidade de exercícios empáticos de suporte, crítica e ação conjunta.[14] Participou de WME (Women’s Music Event) onde cantou Aguyjevete ao lado de Kaê Guajajara, transmitido ao vivo pelo canal TNT Brasil.[15] Foi a primeira indígena brasileira a tocar na rádio CBC (Canadian Broadcasting Corporation).[16] Participou do clipe "A Caminhada" da cantora Gloria Groove.[17] Participou do Mekukradjá, "(Re)existindo pelas letras, criando pontes", palestra apresentada no Itaú Cultural.[18] Em 2020 participou do vídeo clipe da cantora Iza Be The One.[19]
Em 2020 Katú mirim foi a primeira indígena Brasileira capa da revista ELLE, primeira indígena capa da revista Corpo Futuro e Be Free. Se apresentou em grandes festivais como Rock in Rio, Rock the Mountain, Coma festival, Elas festival, entre outros. Foi uma das atrações musicais da cerimônia de entrega do Prêmio Sim à Igualdade Racial 2023, ao lado de BK', MC Soffia, Linn da Quebrada, Kaê Guajajara e Liniker.[20] Em 2026 participou da canção "Oke" do álbum Equilibrium II da cantora Anitta.[21][22]
Características musicais
[editar | editar código]Futurismo indígena
[editar | editar código]Como precursora do movimento Indígena Futurista no Brasil, trazendo o movimento através de música, conteúdos educacionais e palestras, Katú propõe uma ruptura com a ideia convencional de futuro — historicamente representado pela velocidade, pelo avanço industrial, pelas grandes cidades e pelas engrenagens das máquinas. Katú Mirim também trouxe o futurismo indígena para suas músicas, mesclando rap, beats de synth pop, instrumentos ancestrais e contemporâneos com o EP Quinto Elemento e com os singles Indígena Futurista e De volta para o passado. Com a moda, ela também traz o futurismo no seu visual, quebrando os esteriótipos do que é a imagem de um indígena. Uma indígena rockstar, futurista e rebelde, o que podemos esperar de Katú Mirim.
Discografia
[editar | editar código]Referências
- 1 2 Nov 2019, 24; às 10h56, 19h44 | Última atualização: 2 mar 2020 (24 de novembro de 2019). «Quem são os pardos no Brasil? A reafirmação identitária da rapper Katú Mirim - Portal Catarinas». Consultado em 25 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 13 de setembro de 2025
- ↑ Blazina, Edimar Garcia (26 de maio de 2020). «Coletivo atua na defesa da diversidade LGBTQI indígena». Extra Classe. Consultado em 28 de julho de 2026. Cópia arquivada em 12 de fevereiro de 2025
- ↑ «Excluídos e sexualizados, indígenas LGBTs contra-atacam a homofobia». www.cedefes.org.br. Consultado em 25 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 15 de março de 2026
- ↑ «#ÍndioNãoÉFantasia: quem é a indígena que iniciou debate sobre uso de fantasias». G1. 9 de fevereiro de 2018. Consultado em 25 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 27 de abril de 2024
- ↑ Santos, Savyo (18 de março de 2024). «Associado Abramus: Katú Mirim». ABRAMUS. Consultado em 25 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2025
- 1 2 Martins, Bárbara (23 de dezembro de 2020). «Katú Mirim, rapper paulista, é sinônimo de resistência indígena na cidade». Hypeness (em inglês). Consultado em 23 de abril de 2023. Cópia arquivada em 26 de abril de 2023
- ↑ https://www.marinaperalta.com.br/
- ↑ «Coletivo Tybyra promove debates e conscientização sobre indígenas LGBTQIA+ | EBC Rádios». radios.ebc.com.br. Consultado em 3 de abril de 2025. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2024
- ↑ «Geração 501: evento traz oficinas e shows gratuitos por São Paulo». CLAUDIA. 23 de abril de 2019. Consultado em 23 de abril de 2023. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2025
- ↑ «Programação do Festival Red Bull». www.redbull.com. Consultado em 29 de maio de 2023. Cópia arquivada em 14 de março de 2026
- ↑ Rassy, Gabriela (2 de abril de 2019). «Órbita vai dos shows aos discos voadores em festival gratuito». Catraca Livre. Consultado em 23 de abril de 2023
- ↑ «"Cultura e a arte são fundamentais para a formação de bons cidadãos", afirma Mauro Sousa». GQ. Consultado em 23 de abril de 2023. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2025
- ↑ https://audioboom.com/posts/7454818-lgbtqia-indigenas-crew-tibira-com-katu-mirim
- ↑ «MASP». MASP. Consultado em 29 de maio de 2023. Cópia arquivada em 16 de março de 2025
- ↑ WME (5 de dezembro de 2019). «WME Awards se consagra como única premiação nacional do canal TNT». Women's Music Event. Consultado em 29 de maio de 2023. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2025
- ↑ https://www.cbc.ca/listen/live-radio/1-184-reclaimed/clip/15743870-reawakening
- ↑ «Gloria Groove alfineta conservadores em novo clipe; confira A Caminhada». observatoriog.bol.uol.com.br. Consultado em 23 de abril de 2023. Cópia arquivada em 23 de abril de 2023
- ↑ https://www.picuki.com/tag/mekukradja
- ↑ «Iza lança 'Let Me Be the One', em parceria com americano Maejor; veja clipe». entretenimento.uol.com.br. Consultado em 9 de março de 2021. Cópia arquivada em 19 de janeiro de 2025
- ↑ Prêmio Sim à Igualdade Racial 2023 | ID_BR | Origens e Raízes, consultado em 29 de maio de 2023
- ↑ popline. «Quem é Katú Mirim, rapper indígena que impressionou Anitta?». Terra. Consultado em 28 de julho de 2026
- ↑ «Quem são os rappers indígenas que vão estar em 'Equilibrium II'». G1. 20 de julho de 2026. Consultado em 28 de julho de 2026. Cópia arquivada em 21 de julho de 2026
- ↑ Casa 1 (18 de fevereiro de 2022). «Katú Mirim lança álbum 'Revolta!' e Renata Carvalho faz única apresentação de "Manifesto Antropofágico" no Sesc Bom Retiro». Casa 1. Consultado em 28 de julho de 2026. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2026
- ↑ Santos, Patricia (1 de março de 2024). «Em nova música, rapper indígena questiona ostentação de ouro por artistas». AlmaPreta. Consultado em 28 de julho de 2026. Cópia arquivada em 23 de março de 2025
Bibliografia
[editar | editar código]- Andrade, Deyse Carla Souza Santos (2023). «Deixa que eu "canto" a minha história: Bia Ferreira, Katú Mirim e Ekena, interseccionalidades e artivismos na cena musical brasileira da atualidade». Salvador: Universidade Federal da Bahia. Dissertação (mestrado). 152 páginas. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2024
- Leodoro, Victória Beatriz Braz (2024). «Ritmo e poesia: rap indígena em resistência ao epistemicídio»
- Levi, Ederson; Menezes, Kauane Alves; Moreira, Marília Diógenes (2026). «É Preciso Suspender o Céu: uma Análise de Discurso de Katú Mirim no Instagram sobre a ótica da resistência indígena». COMPÓS 2026. 35
- Zdebsky de Cordova, Dayana; Mirim, Katú (2025). «Retomando identidades, refazendo memórias e futuros indígenas». Revista Memória em Rede. 17 (32): 84–112. ISSN 2177-4129. doi:10.15210/rmr.v17i32.28453. Cópia arquivada em 9 de junho de 2025
Ligações externas
[editar | editar código]- Katú Mirim no Instagram
- Katú Mirim no Facebook
- Katú Mirim no Spotify
- Katú Mirim no YouTube